A hora da bucha.
No navio tinha um spa muito bacaninha, uma pena que não tirei fotos. Tinha uma piscina aquecida de água salgada que eles chamavam de 'talassotermal' e nós chamávamos de 'sopa', havia duas jacuzzis, um restaurante de comida saudável (que fechava às 14 horas, sempre que eu voltava da praia cedo parava por lá pra almoçar porque era bem gostoso), uma academia equipada da qual não passei nem perto porque, oi, estava em FÉRIAS, um jardim interno com sauna e outras frescuras, salão de cabeleireiro e vários serviços de relaxamento, beleza e estética, tanto para homens quanto para mulheres.
CLARO que todos os preços estavam pela hora da morte. Sobre eles ainda inicidia uma taxa de 15%, que era o valor revertido ao profissional que aplicava o tratamento, e mais alguma gorjeta extra que você quisesse dar, também para ir pro bolso desse profissional. Detalhe, o pessoal do spa só ganha sobre aqueles serviços que faz, sem salário fixo. Então, se você faz um tratamento com determinado profissional, pode rolar de ele te dar um desconto num próximo, se feito com ele próprio. Dica pra quem for viajar de navio e quiser fazer uma massagenzinha relaxante, ou alguma outra coisa? Quando o navio está no porto alguns preços baixam, porque a maioria das pessoas vai para terra firme e eles querem vender. Não que você precise passar o dia enfurnada no spa do navio - eu por exemplo acordava muito cedo, ia pra praia, depois dava uma passeadinha e SEMPRE voltava bem antes de o navio sair.
Rolou uma promoção de massagem em diversos pontos do corpo por 99 dólares, e minha mãe resolveu me dar de presente de aniversário atrasado. Claro que eu amei. Escolhi couro cabeludo, obviamente costas, e pernas, porque é o único lugar onde rola uma celulitezinha. Foi muito legal, porque a sala de massagem tinha vistona do oceano, o óleo de frangipani que foi usado era super hidratante e tinha um cheiro delicioso, e a moça que me atendeu (Amanda, que era do Reino Unido, mas não sei exatamente de onde - ela tinha um sotaque super diferente) era muito fofa. Relaxei horrores, e depois da massagem ela me ofereceu, com desconto, um tratamento pra gordura localizada e celulite que prometia reduzir até 2 centímetros da borda de catupiri já na primeira sessão. Fiquei tentada, mas acabei gastando tudo em pina colada depois, e deixei pra lá.
Mesmo assim, Amanda me deu a dica: diariamente, no banho, era preu massagear minhas pernas (repito, onde eu tenho os catupiris e as celulites) com uma escova macia, que ativasse a circulação, mas ao mesmo tempo não machucasse a pele. Ela disse que, depois de um tempo, o resultado era visível. E eu acreditei, porque na época em que eu tinha tempo, fazia automassagem nas pernas com as mãos mesmo e creme hidratante comum, e achava que elas eram melhor torneadas do que hoje.
Daí veio o assalto: a escova de fibra de não sei qual alga marinha que eles vendiam por lá custava 44 dólares. OITENTA E POUCOS REALIZADOS POR UMA ESCOVA. Pela minha cabeça passou a imagem de mim mesma roubando a escova que minha mãe usa pra limpar os tapetes da área de serviço, e passando nas minhas pernas durante o banho. Dã, não comprei. Estava crente que ia achar uma genérica aqui no Brasil por 10 dinheiros e que me fizesse feliz.
Quando voltei pra casa vi que minha tia tem uma coleção de buchas. Todas guardadinhas no armário, ali bonitinhas, esperando para serem postas em uso. E agora, em todos os meus banhos, automassageio e autoesfolio minhas pernocas com a bucha, que eu acho que tem menos chance de me machucar se eu errar a mão do que uma escova. O efeito também é mais suave do que um esfoliante cosmético tipo aquele da Natura que eu adoro, o de açaí (e por favor não venham defender o açaí, eu não gosto de açaí assim como não gosto de chucrute, e nenhum alemão ofendido veio aqui defender o chucrute), por isso não vi problemas em usar todos os dias.
Ainda não faz um mês que estou nessa, mas se o resultado for bom - ou se o resultado EXISTIR - eu conto.











